Durante os painéis sobre AI (inteligência artificial e machine learning), surgiram diversas dúvidas, mas uma das que mais gerou polêmica foi sobre a relação homem x máquina no processo criativo. Será que podemos ensinar as máquinas a criar? 

O painel "Creativity: Perspectives from Neuroscience and AI” colocou lado a lado dois neurocientistas que têm trabalhos em áreas distintas, mas dedicam parte de suas pesquisas para entender como é o processo criativo do ponto de vista cerebral. Além deles, tivemos como debatedor um engenheiro e programador do Google Brain, que além de ser PhD e programador de AI também é músico. 

Cada um dos participantes teve 12 minutos para fazer uma apresentação sobre os seus trabalhos. Obviamente que as apresentações e explicações feitas pelos doutores da academia sobre como o nosso cérebro funciona do ponto de vista criativo foram muito importantes, nos dando uma compreensão melhor do que é criatividade. A Dra. Elizabeth Margulis trouxe uma definição simples sobre a criatividade, que é a capacidade de criar algo original (único e novo) e também efetivo (relevante). Já o professor Alain Dagher demonstrou que doenças como a esquizofrenia e depressão podem ativar algumas áreas do cérebro que amplificam a capacidade criativa. 

Mas quem roubou a cena mesmo foi Pablo Samuel Castro, do Google. O engenheiro (e, como citado acima, músico nas horas livres) está trabalhando numa plataforma que interage em tempo real produzindo música através da programação de diversos instrumentos (bateria, piano…). O projeto de Pablo é ampliar a capacidade das máquinas de criar novos padrões musicais (harmonias) que possam evoluir e mudar a relação com os músicos. 

Voltando à discussão inicial, é possível uma máquina ser criativa? Sim, é possível. Se criar é fazer algo novo e único, as máquinas conseguem fazer. Mas começam a surgir várias questões sobre os papéis dos robôs e das pessoas, e todos pensam da mesma maneira: o sentimento é algo que só o homem pode ter, e isso permeia todo o processo criativo.