A tecnologia nos levará por caminhos ainda desconhecidos, para o bem e para nem tanto. Inteligência artificial e automação percorrerão tudo aquilo que conhecemos em termos de produção e execução de atividades – do call center ao cuidado diário de pacientes, do lógico trabalho de computador à mais delicada cirurgia de coração.

Sarah Fay, da Glasswing Ventures, investidora de startups de tecnologia de ponta e AI, foi direta ao afirmar que está preocupada com o andamento de tudo isso. “Como investidora do setor, não deveria estar falando isso, mas muitos empregos serão perdidos. Teremos de repensar e entender como iremos para frente”, cravou a executiva.

Para Lance Weiler, fundador do Lab do Storytelling Digital da Universidade de Columbia, existe ainda um longo caminho a percorrer. Ele acredita que sempre haverá algo que nos diferenciará da máquina: a empatia, ou seja, a capacidade de entender o sentimento do outro. “AI vai nos ajudar a processar informação, mas a maior parte da comunicação não é verbal, é de linguagem corporal”, afirmou.

Douglas Eck, cientista da equipe de pesquisa do Google Brain, faz parte de uma série de projetos mirabolantes, como desenvolvimento de AI para aplicações como editar livros e tocar piano. No entanto, ele não vê o computador com capacidade de fazer escolhas. “A empatia tem a sua complexidade para ser totalmente capturada. Há uma parte importante da empatia que é a contextualização, o que também ainda não está bem resolvida em AI”.

Seja máquina ou humano, empatia é uma das chaves dos negócios e está entre as sete tendências não-óbvias do best-seller Rohit Bhargava. Tanto tem se falado sobre essa palavra mágica, mas ela continua sendo um desafio. “Falamos muito sobre empatia no negócio, mas não colocamos em prática. Empatia é um dos três níveis inexplorados de produtividade”, disse Minter Dial, autor e especialista em transformação digital, que levou ao SXSW a reflexão sobre a empatia artificial e sua eficácia. “Você não ensina ou cria empatia, mas pode criar um ambiente que favoreça o seu desenvolvimento”, pontuou Dial.

Talvez as máquinas cheguem lá, mas o fato é: empatia ainda é um diferencial humano e melhor explorado com relações verdadeiramente humanas – especialidade dos profissionais de RP. Se o futuro dos negócios depender de mais empatia, RP deve estar no centro dessas discussões.